Roteiro de Iniciação Científica 

Do projeto “O Caminho Gradual da Teologia nas Obras de Agostinho de Hipona: uma perspectiva da filosofia da teoria da rede inter-relacional”

  1. Referências normativas consideradas

  • Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) – Art. 52, inciso VII (conforme Resolução CNE/CES 3/2010): institui os programas de iniciação científica como parte integrante da formação universitária.

  • Portaria CNPq nº 2.539, de 17 de novembro de 2025: estabelece critérios e procedimentos para os Programas Institucionais de Iniciação Científica e Tecnológica do CNPq, incluindo os objetivos, a forma de concessão das bolsas e os direitos e deveres dos bolsistas.

  • Resolução Normativa CNPq RN-28/2015, alterada pela Resolução CNPq nº 27/2026: define as normas gerais e específicas para as modalidades de bolsas individuais no País.

  • Normas e procedimentos gerais para programas de iniciação científica (modelo adotado por instituições de ensino superior públicas e privadas): definem carga horária mínima de 20 horas semanais, duração de 12 meses, obrigatoriedade de entrega de relatórios, apresentação em evento científico, entre outros.

2. Roteiro da Iniciação Científica – 12 meses (20h/semana)

Duração total: 12 meses, conforme padrão estabelecido pelo CNPq e pelo MEC para bolsas de iniciação científica (Portaria CNPq nº 2.539/2025, art. 6º).

Carga horária semanal: 20 horas, obrigatórias e dedicadas exclusivamente às atividades do plano de trabalho, vedado o acúmulo com outra bolsa de pesquisa ou vínculo empregatício (Portaria CNPq nº 2.539/2025, art. 11; Resolução CNE/CES 3/2010, art. 52, VII).

Requisitos do bolsista (conforme Portaria CNPq nº 2.539/2025, art. 10):

  • Estar regularmente matriculado em curso de graduação reconhecido pelo MEC.

  • Não possuir vínculo empregatício.

  • Não acumular bolsas de IC com outras bolsas de pesquisa, exceto auxílios assistenciais e de permanência.

  • Ter currículo Lattes atualizado.

  • Apresentar termo de compromisso assinado com o orientador e a instituição.

Requisitos do orientador (Portaria CNPq nº 2.539/2025, art. 12):

  • Título de doutor, preferencialmente bolsista de produtividade (PQ ou DT) do CNPq.

  • Cadastro ativo na Plataforma Lattes.

  • Responsável pela seleção, orientação e acompanhamento do bolsista.

Fase 1 – Preparação e leitura exploratória (meses 1–2)

Meta: Apropriar-se do cronograma, da bibliografia e da metodologia. Iniciar a leitura cronológica das obras agostinianas.

Atividades obrigatórias (base normativa):

  • Assinar o termo de compromisso (Portaria CNPq nº 2.539/2025, art. 13).

  • Criar e manter atualizado o currículo Lattes (Portaria CNPq nº 2.539/2025, art. 10, inciso III).

  • Participar da reunião semanal de orientação (2h/semana), com registro formal de frequência e pauta.

Roteiro detalhado:

Semanas 1–2 (mês 1)

  • Ler atentamente o projeto completo e as normativas do CNPq.

  • Assistir à reunião de orientação inicial com o Prof. Plínio (aos sábados das 8h até as 10h).

  • Organizar um caderno de pesquisa (físico ou digital) com seções: fichamento das obras, princípios da rede, mapas conceituais.

  • Baixar/adquirir as edições indicadas (Paulus, 1995–2022).

  • Ler o artigo e a tese de Tsai (2024; 2020) sobre a Teoria da Rede Inter-relacional.

Semanas 3–4 (mês 1)

  • Ler A Vida Feliz integralmente.

  • Fazer um fichamento destacando:

    • Definição de felicidade – a posse de Deus.

    • Relação entre razão e autoridade.

    • Presença neoplatônica.

  • Identificar o primeiro par complementar: razão ↔ autoridade.

Semanas 5–6 (mês 2)

  • Ler as Confissões (livros I–IX).

  • Fichar passagens sobre interioridade, tempo, memória e graça.

  • Iniciar o mapa inter-relacional: colocar as obras como fluxos, desenhar setas de influência/diálogo.

  • Registrar no diário: como a “felicidade” de A Vida Feliz se transforma em “salvação pela graça” nas Confissões.

Semanas 7–8 (mês 2)

  • Reunião de orientação para discutir os fichamentos e o mapa inicial.

  • Aplicar o princípio da mútua determinação (comparar conceitos entre obras).

  • Registrar no diário de pesquisa as primeiras relações entre as obras.

Fase 2 – Fichamento e mapeamento conceitual com os princípios da rede (meses 3–4)

Meta: Avançar para as obras do período maduro e aplicar os princípios da Filosofia da Teoria da Rede Inter-relacional.

Atividades obrigatórias (base normativa):

  • Manter o diário de pesquisa com registros diários de atividades e reflexões (exigência indireta do art. 11 da Portaria CNPq nº 2.539/2025, que determina o acompanhamento do desenvolvimento do plano de trabalho).

  • Atualizar o mapa inter-relacional a cada duas semanas.

Semanas 9–10 (mês 3)

  • Ler A Doutrina Cristã (livros I–II).

  • Fichar:

    • Distinção entre uti (usar) e frui (gozar).

    • Papel de Cristo como mediador.

    • Complementaridade entre autoridade das Escrituras e exercício da razão.

Semanas 11–12 (mês 3)

  • Ler A Trindade (livros VIII–XV).

  • Aplicar o princípio da complementaridade (yin-yang):

    • Analisar pares conceituais (interioridade/exterioridade, conhecimento/amor) como complementares.

  • Atualizar o mapa inter-relacional.

Semanas 13–14 (mês 4)

  • Reunião de orientação para validar a aplicação dos princípios.

  • Escrever um relatório parcial (2–3 páginas) descrevendo:

    • Evolução dos conceitos até o período maduro.

    • Exemplo de aplicação da Teoria da Rede Inter-relacional.

  • Iniciar a leitura de A Graça e o Livre-arbítrio.

Semanas 15–16 (mês 4)

  • Terminar A Graça e o Livre-arbítrio.

  • Fichar a tensão entre graça e livre-arbítrio.

  • Aplicar o princípio da mútua determinação: graça e livre-arbítrio como polos que se exigem mutuamente.

Fase 3 – Análise sistemática das obras finais (meses 5–6)

Meta: Estudar as Retratações e os escritos antipeligianos como ápice do percurso gradual e da “interfusão”.

Atividades obrigatórias (base normativa):

  • Garantir permanência mínima de 6 meses no mesmo projeto (exigência da maioria das normas institucionais, conforme art. 2.1.7.1 das Diretrizes da UFMG).

  • Atualizar o mapa inter-relacional final.

Semanas 17–18 (mês 5)

  • Ler as Retratações integralmente.

  • Registrar exemplos concretos de correções de Agostinho sobre sua própria obra.

  • Aplicar o princípio da interfusão: mostrar como as Retratações revelam o pensamento agostiniano como processo, não como substância.

Semanas 19–20 (mês 5)

  • Revisitar obras anteriores à luz das Retratações.

  • Aplicar o princípio das duas verdades (convencional/última).

  • Discutir com o orientador como as Retratações exemplificam a “não‑substancialidade”.

Semanas 21–22 (mês 6)

  • Escrever um segundo relatório parcial (3–4 páginas) focado nas Retratações.

  • Construir o mapa inter-relacional final destacando os fluxos (obras), os elementos (influências, correções, complementaridades) e as redes de transformação conceitual.

Semanas 23–24 (mês 6)

  • Reunião de orientação para fechar a fase analítica.

  • Iniciar a estruturação do relatório final.

Fase 4 – Elaboração do relatório parcial e integração da interpretação pela rede (meses 7–8)

Meta: Produzir um texto consistente que descreva o percurso gradual e demonstre a aplicação da Teoria da Rede Inter-relacional.

Atividades obrigatórias (base normativa):

  • Preparar material para a Semana de Iniciação Científica (exigência comum das instituições, conforme Portaria CNPq nº 2.539/2025, art. 11, inciso I, e Diretrizes UFMG 2.1.7.3).

  • Garantir que o relatório final seja entregue até 30 dias após o término da vigência da bolsa (Diretrizes UFMG 2.1.5).

Semanas 25–28 (mês 7)

  • Redigir as seções iniciais do relatório final:

    • Introdução (contexto agostiniano e metodologia da rede).

    • Problema e hipóteses.

    • Método (explicitar os três grupos de princípios com citações de Tsai).

  • Escrever o capítulo sobre o período inicial (A Vida Feliz), aplicando os princípios da rede.

Semanas 29–32 (mês 8)

  • Redigir os capítulos sobre período intermediário (Confissões) e período maduro (A Doutrina Cristã, A Trindade, A Graça e o Livre-arbítrio).

  • Em cada capítulo, explicitar como os conceitos se transformam na rede.

  • Inserir o mapa inter-relacional como figura no relatório.

  • Entregar ao orientador o relatório parcial completo (10–12 páginas) para correções.

Fase 5 – Redação final, revisão e preparação para evento científico (meses 9–12)

Meta: Concluir o relatório final, aplicar os últimos ajustes e submeter resumo para evento científico.

Atividades obrigatórias (base normativa):

  • Apresentação obrigatória dos resultados em evento científico (Portaria CNPq nº 2.539/2025, art. 11, inciso I).

  • Relatório final com, no mínimo, uma produção associada (artigo, resumo expandido, pôster etc.), conforme Diretrizes UFMG 6.15.

  • Entrega do relatório final assinado pelo orientador até 30 dias após o término da vigência da bolsa (Diretrizes UFMG 2.1.5).

Semanas 33–36 (mês 9)

  • Incorporar o feedback do orientador sobre o relatório parcial.

  • Escrever o capítulo sobre as obras finais (ênfase nas Retratações).

  • Escrever a conclusão: responder ao problema de pesquisa, confirmar as hipóteses, discutir a fecundidade do método da rede.

Semanas 37–40 (mês 10)

  • Revisar todo o relatório (clareza, coesão, normas ABNT).

  • Elaborar o resumo expandido (até 1500 palavras) para submissão a evento científico.

  • Submeter o resumo conforme edital.

Semanas 41–44 (mês 11)

  • Preparar a apresentação oral (15 slides, 15 minutos).

  • Realizar uma apresentação de ensaio para o orientador e colegas.

  • Ajustar o relatório final com base em eventuais sugestões.

Semanas 45–48 (mês 12)

  • Entregar a versão final do relatório de iniciação científica (PDF e impresso, conforme normas da instituição).

  • Apresentar o trabalho no evento científico (obrigatório).

  • Entregar ao orientador o diário de pesquisa completo.

  • Preencher os relatórios de bolsa (se for bolsista) e a avaliação final.

3. Acompanhamento contínuo (todos os meses)

  • Reuniões semanais de orientação (2h/semana) – obrigatórias.

  • Diário de pesquisa – registro diário das atividades, dificuldades e descobertas.

  • Leitura complementar recomendada: Brown (2020), Gilson (2006), Cook (1977).

  • Controle de horas – planilha simples com data, atividade e tempo gasto (exigência indireta do art. 11 da Portaria CNPq nº 2.539/2025, que requer rastreabilidade das atividades do bolsista).

4. Conformidade com as normativas do MEC e do CNPq

Exigência normativa

Atendimento no roteiro

Dispositivo legal

Duração de 12 meses

✓ (cronograma mensal)

Portaria CNPq nº 2.539/2025, art. 6º

Carga horária de 20h semanais

✓ (explicitado)

Resolução CNPq RN‑28/2015, art. 6º, §1º

Termo de compromisso assinado

✓ (Fase 1, semanas 1‑2)

Portaria CNPq nº 2.539/2025, art. 13

Currículo Lattes atualizado

✓ (Fase 1, semanas 1‑2)

Portaria CNPq nº 2.539/2025, art. 10, III

Não acumular bolsas

✓ (explicitado na seção 2)

Portaria CNPq nº 2.539/2025, art. 11

Orientador com título de doutor

✓ (projeto original)

Portaria CNPq nº 2.539/2025, art. 12

Apresentação em evento científico

✓ (Fase 5, mês 12)

Portaria CNPq nº 2.539/2025, art. 11, I

Relatório final até 30 dias após o término

✓ (Fase 5, mês 12)

Diretrizes UFMG 2.1.5

Produção associada (artigo, resumo etc.)

✓ (Fase 5, mês 10)

Diretrizes UFMG 6.15

Registro formal das atividades (diário de pesquisa)

✓ (Acompanhamento contínuo)

Portaria CNPq nº 2.539/2025, art. 11, §3º

5. Observações finais

  • Este roteiro atende às normativas gerais do MEC e do CNPq para programas de iniciação científica. Caso a instituição de ensino tenha regras complementares (por exemplo, sobre orientação a distância ou formato do relatório), elas devem ser incorporadas mediante ajuste com o orientador.

  • O aluno deve buscar autonomia progressiva – ao final dos 12 meses, espera‑se que domine o método da Filosofia da Rede Inter‑relacional e possa aplicá‑lo a outros autores.

  • Em caso de dificuldade com a metodologia da rede, revisar os textos de Tsai (2024; 2020) e solicitar exemplos práticos ao orientador.

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